Trump e Putin reúnem-se no Alasca para discutir guerra na Ucrânia

O futuro da Ucrânia volta a ser debatido esta sexta-feira, com um encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin no Alasca.

De acordo com o programa divulgado pelas autoridades russas, a cimeira começará com uma conversa privada entre os dois líderes, apenas acompanhados por intérpretes, seguindo-se uma reunião alargada às delegações de ambos os países e um almoço de trabalho. A reunião está marcada para as 11:30 horas locais (20:30 horas em Lisboa) e terá lugar numa base militar próxima de Anchorage, capital do estado.

A escolha do local não deixa de ser simbólica. O Alasca foi colónia russa entre 1799 e 1867, ano em que Moscovo vendeu o território aos Estados Unidos para fazer face às dívidas contraídas durante a Guerra da Crimeia.

Apesar da relevância do encontro, nenhum líder europeu foi convidado. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ficou de fora, o que motivou apelos de Kiev e de vários aliados europeus para que Trump não tome decisões sem consultar a Ucrânia.

Na quarta-feira, o líder norte-americano reuniu-se por videoconferência com Zelensky e representantes europeus, admitindo dois cenários: ou a reunião com Putin abre caminho a uma nova cimeira com Kiev presente, ou fracassa e não haverá novos encontros.

Trump, que prometeu durante a campanha eleitoral terminar a guerra “em 24 horas”, já lançou no passado um ultimato a Putin para suspender a ofensiva ou enfrentar sanções duras. Agora, fala em “concessões mútuas” sobre fronteiras e territórios. Putin, por seu lado, elogiou o empenho norte-americano, mas ignorou a Europa, reforçando que as exigências de Moscovo permanecem inalteradas: o reconhecimento da anexação da Crimeia, a cedência das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, e a renúncia ucraniana a armas ocidentais e a qualquer adesão à NATO.

Para Kiev, estas condições são inaceitáveis. Até agora, as três rondas de negociações realizadas ao longo da primavera e do verão produziram apenas um resultado: a troca de prisioneiros de guerra. Na quinta-feira, foi anunciada a libertação simultânea de 84 prisioneiros de cada lado.

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