Tiago Rego: “Cultura não é despesa: é um dos maiores ativos de Viana do Castelo”

Artigo de opinião de Tiago Rego, do Partido Socialista.

«A cidade de Viana do Castelo tem sido palco de inúmeras iniciativas que têm preenchido as suas ruas de animação, vianenses e muitos transeuntes. O vigor cultural do nosso concelho vai hoje muito além das majestosas festas da Senhora D’Agonia, fazendo-se sentir ao longo de todo o ano com eventos ecléticos e agregadores de diversas expressões artísticas, geradores de um desenvolvimento social, económico, e claro, cultural da nossa comunidade.

Um povo sem cultura é um povo sem alma e identidade, e em Viana tem-se feito muito pela valorização da nossa cultura, das nossas crenças e das nossas tradições, que encontram nos grupos e coletividades culturais a sua âncora e essência. Temos sabido, em conjunto, promover e projetar a nossa cultura pelas freguesias do concelho e lá fora, graças ao apoio convicto do Município e à abnegada participação e permanente disponibilidade dos nossos agentes culturais, que, através das participações em eventos locais e périplos pela diáspora e por todos os continentes, levam o nome de Viana às bocas do mundo. É, por isso mesmo, inadmissível que o apoio prestado aos nossos grupos folclóricos e demais entidades culturais, na nobre missão de promover a nossa identidade além fronteiras, seja desvalorizado ao ponto de ser confundido com meros passeios recreativos, como já aconteceu!

Investir em cultura é garantir o futuro de uma comunidade sábia, consciente e elevada, que se enche de chieira para falar dos seus e do que é nosso. É assim – e assim continuará a ser – pela ação do atual executivo municipal, que em momento algum olha ou olhará para esta riqueza cultural como um despesismo, um devaneio ou um mero entretenimento.

O caminho para continuar a afirmar Viana do Castelo como “um mar de cultura” faz-se com ações e planos estratégicos consequentes, como bem o demonstram as iniciativas que integraram a programação de Viana Capital da Cultura do Eixo Atlântico, que terminou com o concerto do consagrado Rodrigo Leão, num momento claro de regozijo pelo impacto que as diversas atividades desenvolvidas ao longo do ano pretérito geraram na nossa comunidade. Destacam-se, entre essas iniciativas, a XI Bienal de Pintura do Eixo Atlântico e o 1.º Festival Internacional de Guitarra Clássica, que encerraram as programações reunindo alguns dos mais prestigiados pintores e guitarristas nacionais e internacionais, numa celebração única dedicada à pintura e à guitarra clássica, combinando o prestígio e a colaboração artística com a valorização da identidade cultural do concelho. Esta Capital foi mais do que um momento de elevação cultural no contexto do Eixo Atlântico, foi a celebração do poder agregador da cultura, da sua capacidade de unir cidades e cidadãos e de promover a tolerância e aproximação entre os povos. A cultura não tem fronteiras e, por isso, é fundamental que se continue a apostar e a dar valor à nossa gente, apoiando o seu potencial criativo para vencer no mundo.

A qualidade do que se faz por cá é já hoje reconhecida a nível internacional, como é disso exemplo a nomeação do festival “Viana Jazz” para os Iberian Festival Awards.

Investir na cultura é também abrir Viana do Castelo a outras manifestações artísticas, nacionais e internacionais, promovendo uma oferta cultural diversificada que cruza expressões tradicionais com outras mais contemporâneas. Para tal, têm sido criadas condições para o acolhimento de iniciativas renomadas e de projetos culturais diferenciadores, integrando a nossa cidade no roteiro cultural e artístico à escala global. É graças a esta visão que a exposição dedicada à celebre fadista Amália Rodrigues esteve patente em Viana do Castelo, oferecendo aos vianenses e a todos quantos nos visitaram uma experiência imersiva no universo deste nome indelével do fado português.

Aliar a cultura ao nosso potencial turístico é fundamental, uma vez que a cultura possui uma reconhecida capacidade de gerar valor económico, direto ou indireto. A aposta em iniciativas temáticas como “Viana Coração de Natal” tem sido virtuosa e geradora de uma simbiose bem-sucedida entre a programação artística e lúdica e a dinamização do comercio do centro histórico, iluminado por milhares de luzes que engalanaram as suas ruas e preenchido pelos mercadinhos de Natal, que mesmo quando se mudam para outras paragens, carregando com isso o ceticismo daqueles que são avessos à mudança, cumpriram o seu papel de garantir a alegria dos mais novos e de ser um reduto para a compra de prendas de Natal mais diferenciadas.

A afirmação de Viana do Castelo como polo de referência cultural constrói-se a partir destes diferentes eixos e assenta numa estratégia clara, assumida pelo atual executivo municipal e sufragada pelos vianenses. Uma estratégia que integra a cultura no desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis, que aposta na qualificação dos nossos agentes culturais e no estímulo à criação artística, bem como na valorização da cidade e do concelho como espaços de diálogo entre culturas. Trata-se de uma visão que promove a educação para uma cidadania ativa e comprometida com a diversidade, aberta ao mundo e consciente da nossa dimensão europeia e internacional.

Assim, e reconhecendo o caminho já percorrido, ambicionamos sempre por mais e melhor cultura, em harmonia e diálogo com o ecossistema cultural do concelho, com vista a desenvolver uma consciência estratégica junto dos agentes culturais, predispondo-os para um trabalho colaborativo, articulado e inclusivo, aberto à inovação e à mudança, com vocação e dimensão europeias, assumindo a cultura como uma verdadeira alavanca da estratégia de desenvolvimento do concelho.

Que para esta ação cultural, nunca falte ousadia e determinação ao executivo municipal para continuar a densificar a criação artística, a consolidar e qualificar a rede de equipamentos culturais, a reforçar a descentralização cultural pelas freguesias do concelho e a apoiar os nossos embaixadores da cultura vianense, porque a cultura é identidade, é futuro e é um dos maiores ativos de Viana do Castelo.»

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