“As crianças expostas nas Casas da Roda do Alto Minho nos séculos XVIII e XIX” é o tema de janeiro do EntardeCER, iniciativa do Centro de Estudos Regionais (CER) que se realiza no AP Dona Aninhas – Boutique Hotel, em Viana do Castelo.
O evento, que vai contar com a participação de Teodoro da Fonte, está agendado para esta quinta-feira, dia 15, às 17:30 horas.
A exposição de crianças foi um fenómeno marcante dos séculos XVIII e XIX, assumindo grande expressão em Portugal com a criação das Casas da Roda.
Estas instituições, geridas por câmaras municipais ou pelas misericórdias, permitiam o abandono anónimo de recém-nascidos e favoreceram a massificação do fenómeno, num contexto social vulnerável e marcado por uma mentalidade populacionista.
No Alto Minho, milhares de crianças passaram por estas rodas, embora nem todas tenham sido efetivamente enjeitadas. Estudos baseados em fontes paroquiais e municipais, bem como na análise dos bilhetes deixados junto das crianças, revelam que muitos destes abandonos foram simulados, refletindo estratégias familiares associadas à pobreza ou à preservação da honra.
Teodoro Afonso da Fonte é doutorado em História pela Universidade do Minho. Após ter exercido funções diretivas e docentes durante 44 anos, coordena atualmente a Universidade Sénior de Ponte de Lima, onde leciona a disciplina de História e Atualidade.
É investigador colaborador do CITCEM (Universidade do Porto), associado do CER e membro da equipa redatorial da Revista Estudos Regionais, tendo desempenhado, durante vários mandatos, as funções de Presidente da Assembleia Geral.
Entre os seus trabalhos de investigação, desenvolvidos no âmbito da Demografia Histórica, da História Social e da História da Assistência, destaca-se a tese de doutoramento “No limiar da honra e da pobreza. A infância desvalida e abandonada no Alto Minho (1698–1924)”, galardoada com o Prémio Literário Lopes de Oliveira como melhor obra de estudos histórico-sociais de âmbito local ou regional, publicada nos anos de 2005 e 2006.
A conversa vai ser moderada por Armando Borlido, presidente da Direção do CER.
O EntardeCER é um conjunto de conversas sobre os mais diversos assuntos, ao final da tarde, realizadas num ambiente tranquilo, entre homens e mulheres que partilham o gosto ancestral da conversação e o interesse pelo património cultural.
As conversas do projeto EntardeCER são moderadas por Associados do CER e têm lugar na terceira quinta-feira de cada mês, entre setembro de 2025 e junho de 2025. A iniciativa é aberta ao público em geral, estando limitada à lotação da sala.

