Artigo de opinião de Carlos Durães, do Bloco de Esquerda.
Todos os partidos com assento parlamentar – e candidatos à Câmara Municipal de Viana do Castelo – foram convidados para participar nesta rubrica.
«Viana do Castelo continua, e continuará, a falhar em aspetos centrais para a vida dos seus habitantes se não houver mudanças urgentes. A falta de emprego qualificado empurra os jovens para fora da cidade, deixando para trás uma população cada vez mais envelhecida. Muitos daqueles que concluem os seus estudos veem-se obrigados a procurar oportunidades noutros lugares, enquanto a economia local permanece dependente de setores tradicionais que já não têm a força de outros tempos. Esta realidade não só limita o crescimento económico, como compromete o futuro da própria cidade.
A habitação é outro problema crítico: preços elevados, oferta limitada e ausência de respostas eficazes tornam cada vez mais difícil para as famílias e jovens fixarem-se na cidade. Esta carência de soluções habitacionais cria um efeito de exclusão social silencioso, afastando quem poderia contribuir para a vitalidade de Viana.
Os transportes públicos são insuficientes e pouco eficientes, deixando muitas freguesias mal servidas e tornando a deslocação dentro e fora da cidade um desafio diário. Esta falta de acessibilidade limita o acesso a serviços essenciais e torna o dia-a-dia de quem trabalha ou estuda na cidade mais complicado. Para agravar, a dependência do turismo sazonal reforça a sensação de uma cidade que só “acorda” em agosto, perdendo dinamismo durante grande parte do ano.
Mais preocupante é a forma como se gerem as prioridades: problemas estruturais arrastam-se durante anos, enquanto se investe em obras de fachada que pouco resolvem. Estradas mal conservadas, espaços públicos degradados e infraestruturas desatualizadas convivem com investimentos superficiais que não respondem às necessidades reais da população.
Viana do Castelo tem tudo para ser uma cidade moderna, dinâmica e atrativa, mas continua presa à inércia e à falta de visão. Sem uma mudança de rumo e decisões mais focadas no que realmente importa, a cidade arrisca permanecer refém de um passado bonito, mas sem futuro concreto para quem aqui vive ou quer viver.»

