Artigo de opinião de André Caetano.
«Tentei procurar diversos temas para este artigo, todavia, no meio de tanto barulho e excitação, não me ocorreu mais nada…
Como é que se vive num país onde uma figura tão pobre de espírito tem tanto impacto e preponderância social? Fico abesbílico com a quantidade de oportunidades que se dão à mediocridade e a forma como se progride tanto na escada social, com o talento de uma cadeira (excluindo a cadeira que tombou Salazar, “ganda cadeira” – 25 de Abril, sempre!). Os putos que vão agora para Ciências da Comunicação devem estar a pensar que o dinheiro das propinas a pagar seria melhor investido um Onlyfans ou na criação de um Podcast que analise a 233.ª edição da Casa dos Segredos, se uma das principais figuras da televisão nacional tem a ausência de espírito, de noção, de bom senso, do ridículo, de humildade para tecer comentários tão infelizes sobre uma violação.
Se era mal entendido, pedia desculpa, um lamento é o que quem trouxe ao mundo a Tininha tem, todos os dias, quando se depara com o facto de que a coisa mais criativa que a mesma fez foi um perfume para o pipi.
Mas Abril também é isto, a democracia também é isto, é a liberdade de se poder dizer o que se quiser e, depois, quando o que se quer dizer é um aglomerado de bosta de bisonte americano, ter a chance de se retratar e recusar fazê-lo, porque se está numa posição de superioridade em relação aos comuns mortais. As pessoas é que são invejosas, as pessoas queriam ter o dinheiro que a Cristina tem, que lhe pode ter comprado casas no Gerês, felicidade, mas tu até podes tirar a menina da Malveira, mas não tiras a Malveira da menina (desde já se frisa que se trata de uma referência meramente metafórica, não conheço a Malveira, nem as suas gentes, pelo que, calma, é mesmo porque o dinheiro não compra tudo).
Termino com nota de total repúdio perante estas declarações, sobretudo pela ausência de um pedido de desculpas, porque toda gente tem a suscetibilidade de errar, de não se fazer entender, todavia, quando se prefere percorrer o caminho da vitimização, ignorando o sofrimento da real vítima e ainda “dando raise” ao usar comunicados vazios de uma cadeia televisiva, é triste, é vergonhoso, é alguém cuja moralidade será, no mínimo, questionável, cuja prepotência extravasa os limites do aceitável, cuja arrogância, ao contrário do seu perfume, me desequilibra o PH, por isso só posso estimar que se phoda!»

