Artigo de opinião de Joana Armas, do Bloco de Esquerda.
«Decorrem os anos e cada chama de iniciativa cultural que é ateada em Viana do Castelo vai sendo consecutivamente apagada ou enfraquecida. Começando pela Feira Medieval que foi empurrada para um vértice esquecido da cidade, e passando para o Festival de Jazz que, tendo começado de forma gratuita e aberta à comunidade, está cada vez mais restrito apesar de se ter expandido fisicamente, pois a capacidade monetária e o acesso à cultura não são, aparentemente, para todos.
Ainda assim, neste ano de 2025, a cidade da Nossa Senhora ‘Agonia e da filigrana, não só alcançou o título de Capital da Cultura do Eixo Atlântico, com vista a potenciar a cultura em todas as suas expressões nas cidades do Eixo Atlântico, nos países historicamente ligados a Portugal e à Galiza, como foi destacada, pelo grupo Os Mosqueteiros, com o prémio “Autarquia do Ano”.
Relativamente ao primeiro dos títulos é de sublinhar a mobilização de um financiamento de cerca de um milhão de euros, e caso para nos perguntarmos, de que forma este se manifestou? Foram os inúmeros concertos: Ivete Sangalo, Marisa e Bárbara Tinoco, a preços superiores a 30€ para o espetador? Foi o Festival Viana Bate Forte cada vez mais decadente e revestido de desespero que leva as pessoas a sair à rua por uma migalha de entretenimento gratuito? Ou terão sido as iniciativas levadas a cabo por jovens, de forma gratuita, talvez por isso mesmo menos valorizadas pelo poder?
À oportunidade rara de mostrarem o seu trabalho na cidade onde vivem é dada uma visibilidade e um apoio residual! A arte e criatividade do Festival Semente ou a Residência Artística Rua Malandra são sinais do muito que esses jovens poderiam dar à cidade se a cidade fosse mais amiga da cultura.
A Rua Malandra, em particular, com a participação de artistas renomadas a nível nacional, como Juliana Fernandes e KlinKlop (Inês Meira), contando com atividades que se estendem aos interesses de todos, mesmo na sessão de encerramento, a qual integrava música em ambiente de consumo de bebidas alcoólicas, pouco mais contou do que com a participação de familiares e amigos dos envolvidos. E é nestas relações que estes projetos se baseiam e desenvolvem, sempre no curto prazo, pois se não fosse a boa-vontade e o voluntariado não sobreviveriam aos escassos apoios e à indiferença.
E, no entanto, há pessoas que insistem, que dão mais uma chance, que incentivam para que a semente plantada possa alguma vez crescer, mas, uma vez mais, e outra, e outra, não passa de um vislumbre, até porque a Câmara dedica mais atenção aos avisos de trânsito nas suas redes sociais ou outdoors, do que a qualquer iniciativa de cultura local!»

