Artigo de opinião de José Belo, do Chega.
Todos os partidos com assento parlamentar – e candidatos à Câmara Municipal de Viana do Castelo – foram convidados para participar nesta rubrica.
«A definição clássica de Cultura, formulada em 1877, descreve-a como “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
Essa definição abrangente reconhece a cultura como um conjunto de elementos intelectuais, espirituais e materiais, transmitidos socialmente de geração em geração, que moldam a identidade e os comportamentos de um grupo social.
Se aplicarmos à definição de Cultura, a noção de “cultura popular” na realidade portuguesa contemporânea, teremos sempre de ter em conta dois significados possíveis:
- Cultura popular enquanto “Folclore”; uma cultura regional, tradicional, cujas manifestações são produzidas pela comunidade e para a comunidade, sem fins lucrativos primordiais;
- Cultura popular enquanto “cultura de massas”; uma cultura globalizada, cujas manifestações são produzidas por empresas/indústrias, de diversas áreas, com recurso às mais diversas tecnologias, com a finalidade de obtenção de lucro ou não.
Em relação ao primeiro ponto, a cultura de “Folclore” de Viana do Castelo é bem definida pela preservação das tradições do Minho, que se manifestam através de danças e cantares típicos, do Festival de Folclore Internacional do Alto Minho, de vários outros Festivais e Encontros, do artesanato de filigrana e dos Trajes e bordados que são parte integrante dos festejos.
Esta rica identidade cultural é promovida e divulgada ativamente pelos muitos e valorosos Grupos de Folclore do Concelho, atuando inúmeras vezes como Embaixadores da cultura Minhota, em diversas partes do Mundo.
Já no que se refere ao segundo ponto, a oferta Cultural de Viana do Castelo é extremamente limitada em quantidade e variedade.
Tirando as Festas da Senhora da Agonia, de cariz obviamente mais tradicional que se estendem por vários dias em agosto, ao longo do ano surgem muito pontualmente um ou outro evento de grande amplitude. Tivemos agora o “Viana Bate Forte”, dois dias de Concertos, mas que incompreensivelmente acontecem no mesmo fim de semana das Feiras Novas de Ponte de Lima e das festas de Nossa Senhora da Bonança, em Vila Praia de Âncora, retirando obviamente visibilidade e atratividade ao evento em Viana do Castelo.
Ao longo do ano, e principalmente entre outubro e junho, a cidade morre completamente em relação à cultura para massas.
Existem na cidade dois grandes espaços dedicados a acontecimentos culturais que são o lindíssimo Teatro Sá de Miranda e o também muito bonito e moderno Centro Cultural, conhecido por Coliseu.
Quer um, quer outro, têm limitações óbvias de espaço e utilização, sendo por isso logo à partida necessário ter critérios muito específicos para selecionar o tipo de eventos e espetáculos.
Se o Teatro Sá de Miranda, que tem a tradicional traça Italiana, se caracteriza por uma lotação reduzida e toda uma estrutura arquitetónica limitativa de grandes eventos, já o Centro Cultural estará no polo oposto, ou seja, tem um espaço muito grande mas que, em virtude do posicionamento das bancadas e de outros constrangimentos de acesso e circulação, tornam também difícil enquadrar um diversificado número e tipo de grandes espetáculos culturais.
Aquando da demolição da praça de touros de Viana do Castelo, perspetivava-se a abertura de um outro Espaço Cultural, para espetáculos, o que não veio a acontecer, mas que certamente tendo tido esse fim poderia colmatar algumas das carências existentes na oferta de salas de espetáculos da nossa cidade.
No teatro Sá de Miranda existe uma companhia residente (Camarária), que é responsável pela criação / dinamização de espetáculos de Teatro ou outro género de apresentação / representação, para a Cidade e Concelho de Viana do Castelo.
O que se tem vindo a revelar desde há já alguns anos, é que a oferta de Teatro e de outras atividades dessa área artística é manifestamente reduzida e de temáticas também redutores e orientadas para públicos eventualmente mais elitistas e setoriais.
Já em relação ao Cartaz de concertos musicais, no centro cultural, também se tem vindo a revelar esporádico e digamos até a qualidade questionável e sobretudo não abrangente de todos os públicos, principalmente o público de meia-idade ou mais jovem, que efetivamente se desloca a outras Cidades, para ver os seus ídolos musicais e as suas Bandas preferidas.
Uma cidade como Viana do Castelo poderia ter também, uma oferta cultural mais informal, para dar resposta a uma população quer residente, quer de visitantes que procuram a nossa Cidade ao fim de semana, ao final da tarde após o seu dia de trabalho, após um jantar, após um passeio em família, após um almoço de família, oferecendo em vários pontos da Cidade alguma de atividade cultural. Por exemplo, uma Banda Filarmónica a tocar, temos várias no nosso Concelho, um Grupo Folclórico, um Conjunto de Música, uma peça de Teatro de Rua, mas que acontecessem de forma quase espontânea, tradicional, tornando-se habitual e passando a fazer parte da nossa oferta turística, o que traria públicos em quantidade e em continuidade à nossa Cidade.
A identidade de Viana do Castelo, sendo ela por si só firme e muito marcada, não precisa de olhar em seu redor para ver outros exemplos, mas não lhe fica mal, com alguma modéstia, olhar para as ofertas Culturais de outras vilas e cidades, aqui ao nosso redor, onde vemos a sucessão de espetáculos que se repetem quase semanalmente, por exemplo as “Rodas do Vira”, Encontro de Concertinas e outro género, que levam a que essas Vilas e Cidades tenham atualmente uma grande procura de público e, sobretudo, assídua, que faz com que se sinta vida na Cidade, ganhando com isso os habitantes, os visitantes e, como é óbvio, o comércio local e toda a dinâmica da Cidade.
Porque “Viana Merece Mais”, Juntos, Vamos Salvar Viana do Castelo!»

