José Belo: “25 de novembro, SEMPRE!”

Artigo de opinião de José Belo, do Chega.

«25 de novembro, SEMPRE!

“Mário Soares diria mais tarde ter prevenido James Callaghan, então Ministro dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha, para a iminência de «um golpe comunista e que era preciso contra atacar». Por seu lado, um oficial britânico dos serviços secretos assegurou que, caso fosse necessário, enviaria armas para o norte de Portugal, onde se refugiariam os governantes, como foi o caso de Mário Soares e da sua família, que se dirigiram para o Porto no dia 24 de novembro. James Callaghan confirmaria, num livro de memórias, ter estabelecido planos de «apoio efetivo» às forças moderadas, caso se registasse uma «tentativa de golpe comunista». Colocado ao corrente deste plano acordado entre Mário Soares e Callaghan, o grupo dos nove declinou, porém, a proposta.”

Irene Flunser Pimentel
“Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975”
Episódios Menos Conhecidos
“Temas e Debates”
2025

Hoje todos sabemos que após o 25 de abril foi extinta uma ditadura Portuguesa, com uma duração de 48 anos, nas suas fases militar e civil de António de Oliveira Salazar e depois de Marcello Caetano.

Sabe-se hoje, 50 anos depois, que ninguém a restabeleceu, mesmo em diferentes moldes, graças ao 25 de novembro e a alguns Oficiais do Movimento das Forças Armadas e na continuidade a políticos moderados, de partidos moderados, que tiveram de combater arduamente contra os partidos radicais de esquerda, PCP e muitos outros, que, entretanto, pululavam na nossa sociedade. Alguns deles reuniram-se para formar o agora em extinção “Bloco de Esquerda”.

O 25 de novembro é uma data que não é apenas uma marca no calendário, é um Marco da História de Portugal.

Nessa data, constituiu-se a barreira que impediu Portugal de se afundar na sombra de uma ditadura de Esquerda radical, mascarada de “poder popular”, mas sedenta de controlar tudo e todos. É por isso, a data que separa o caos da liberdade. Caos vivido desde 25 de abril de 1974, principalmente no PREC, até à Liberdade conquistada nesta data marcante da nossa História.

Digo com orgulho que eu vivi o 25 de novembro e quando oiço hoje algumas figuras do nosso cenário político a referirem-se ao que se viveu em 1975, no PREC, como um conto romântico de libertação, lembro-me do que vi e do que senti na companhia dos meus pais e dos meus avós.

Lembro-me de sermos chamados de fascistas só porque, fruto do seu trabalho, os meus pais e os meus avós tinham a sua casa, tinham a sua qualidade de vida e só por isso éramos apelidados de fascistas.

Vivia-se com medo, com recolher obrigatório, sempre com o cuidado de não sermos questionados ou interpelados, pelas Brigadas Populares Revolucionárias que faziam barricadas nas estradas e caminhos, revistando os carros e toda a bagagem pessoal, com G3 apontadas ou pelas forças militares, “des”governadas pelo Partido Comunista e pelo seu líder Álvaro Cunhal, que circulavam por todo o lado.

Numa viagem de Sintra, onde morávamos, até ao Crato, vila Alentejana a 230 km, terra de origem da minha mãe, o carro era mandado parar várias vezes e revistado, por essas tais Brigadas Populares Revolucionárias, Comissões de Moradores e outras…, com ou sem presenças de Militares, mas sempre de G3 apontada.

Outra experiência inesquecível era o medo vivenciado com as ameaças de ocupação da nossa casa no Alentejo, modesta casa de família, numa das ruas da Vila, mas como era 2.ª habitação, de Fascistas, era para ocupar e dar ao Povo. Ali nos valia a presença, respeitada na terra, do nosso Tio Rato, que de espingarda em punho avisava que: “Quem lá entrar fica lá dentro!”.

Nessa época também, os meus pais, além de funcionários públicos que eram, com economias e esforço pessoal, abriram um restaurante próximo de Sintra e aí, a Comissão de Moradores, liderada pelos Comunistas da terra, várias vezes ocupou o restaurante, correndo com os patrões fascistas. Lá ia o meu Pai e eu normalmente acompanhava-o, ao Quartel da Carregueira, ali ao lado, chamar a “Tropa”, que lá vinha num Jeep militar, desocupar o restaurante para se poder começar a trabalhar. Os nossos colaboradores, boa gente, assistiam incrédulos a tudo, não eram Comunistas…, sorte deles, nossa e do Restaurante.

Um domingo, não contentes com o resultado que as ocupações sucessivas tinham vindo a atingir, lembraram-se de, na calada da noite de sábado, abrir a caixa de esgoto exterior do restaurante e entupirem-na com entulhos, plásticos e papéis de tal forma, que a meio da manhã de domingo com o restaurante em pleno funcionamento, o esgoto deixou de escoar, impedindo a laboração da cozinha e casas de banho. Numa rápida inspeção ao que se passaria, foi detetado o entupimento premeditado, realizado pela Comissão de Moradores, liderada pelo ilustre Comunista e Barbeiro da localidade.

É por estas e outras experiências, umas vividas pessoalmente, outras a que assisti, como por exemplo, os atentados bombistas das FP25, que digo com orgulho e com peito cheio que o 25 de novembro é o verdadeiro Nascimento da Liberdade em Portugal, pois abriu as portas do regime, impedindo que as mesmas fossem trancadas de novo, desta vez por dentro, pelo Partido Comunista e pela Extrema Esquerda.

O 25 de novembro trouxe a responsabilidade da coragem e do dever de dizer basta, ao autoritarismo da Esquerda radical, disfarçado de idealismo.

Ser contra a Esquerda não é ser retrógrado – é ser lúcido. É recusar o modelo que, onde quer que foi tentado e implementado, só trouxe fome, miséria, perseguição e ruína. Basta olhar para Cuba, para a Venezuela e a Coreia do Norte e compreender que o Comunismo é uma religião sem “Deus”, mas com muitos inquisidores. É compreender que sem o 25 de novembro Portugal, seria hoje, uma paróquia dessa mesma doutrina.

50 anos depois, é urgente dizer isto com clareza.

A liberdade portuguesa não nasceu em 1974, foi salva em 1975. E é escandaloso que se fale tanto do 25 de abril e tão pouco do 25 de novembro. Porque se o primeiro derrubou o regime de um Ditador; o segundo impediu a tirania do outro que se queria instalar.

O primeiro libertou-nos do medo de um Ditador; o segundo libertou-nos da arrogância de uma multidão liderada pela Esquerda radical que queria mandar em nome de todos.

O Comunismo português, único na Europa, e a Esquerda radical gosta de se apresentar como inocente, como se tivesse tido apenas alguns “excessos de juventude”. Mas as ocupações, as perseguições, os atentados bombistas, os julgamentos populares, os saneamentos políticos não foram delírios momentâneos, foram sintomas de uma doença que acreditava poder moldar um país à força. E o 25 de novembro foi o remédio que travou essa doença.

Eu vivi o 25 de novembro e é por isso que posso ser LIVRE. É por isso que posso discordar, votar, falar, pensar e até escrever como estou a fazer, sem medo de nenhum Comité de censura.

É por isso que os jovens de hoje podem ser de Esquerda ou de Direita, ou de nada, porque houve um dia em que homens e mulheres disseram não à ditadura do pensamento único que o Partido Comunista e a Esquerda queriam instalar em Portugal.

Se hoje na rua podem gritar “fora os fascistas”, é porque houve quem impedisse, a partir de 25 de novembro, que fossem obrigados a gritar unicamente, por decreto: “viva o proletariado”.

Se podem escolher o que estudar, o que amar e o que dizer, é porque houve alguém que travou o avanço daqueles que queriam planear até o vosso pensamento. Se podem viver num país onde a democracia ainda existe, é porque há 50 anos, os herdeiros do bom senso venceram o fanatismo da Esquerda, no dia 25 de novembro.

O 25 de novembro não é apenas uma data militar. É um triunfo! É sobretudo um triunfo moral. Foi o dia em que Portugal recusou a mentira ideológica da Esquerda, o igualitarismo hipócrita da Esquerda e a destruição da iniciativa individual e privada.

Foi o dia em que o país voltou a ser o que queria ser: Moderado, Livre, Plural e Europeu.

O 25 de novembro não é passado, é o alicerce do nosso presente. E cada geração tem de o defender, para que nunca mais ninguém tenha de fazer rondas noturnas à sua própria casa, ou defender o seu próprio restaurante com medo das ocupações do Comunismo, mascarado de justiça social.»

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