Natural de Porto Alegre, no Brasil, mas a residir em Viana do Castelo há várias décadas, Gabriel Filippi lançou, recentemente, o livro “Sobrevivendo ao Zyprexa”.
Nesta obra, o autor foca-se na sua própria experiência, depois de em 1998 lhe ter sido receitado o medicamento durante um mês, quando tinha 20 anos, e de este lhe ter provocado “danos irreversíveis”.
“Durante 27 anos, pensei que estava quebrado. Que a minha falta de emoção, o ganho de peso e a perda da alegria eram parte da esquizofrenia. Então descobri a verdade: o cérebro não falhou, foi sequestrado. O peso não é preguiça, é programação química. O silêncio não é doença, é lobotomia química“, explicou.
“Este livro é o registo do que se seguiu: 27 anos de luta sob a sombra dos danos causados pela Zyprexa. Vivi as consequências físicas — obesidade, diabetes, colapso metabólico — e as invisíveis, como o silenciamento das emoções e a perda da capacidade de conectar através de experiências psicoativas“, acrescentou.
O investigador disse ainda que a sua história “não é apenas pessoal“, mas também “política e médica“. “Denuncia a falha de sistemas — holandeses, portugueses e europeus — que deveriam ter protegido um adolescente vulnerável, mas que o entregaram a uma multinacional farmacêutica cujos lucros estavam acima dos pacientes“, referiu.
Gabriel Filippi é um ativista pelos direitos dos pacientes e investigador português que se tornou uma das principais vozes na denúncia dos danos neurológicos e metabólicos a longo prazo causados pelo medicamento Zyprexa (Olanzapina).

