Diana Dias: “Mobilidade em Viana: caminhável, ciclável ou ainda demasiado dependente do carro?”

Artigo de opinião de Diana Dias, do PSD.

«Viana do Castelo tem todas as condições para ser uma cidade fácil de percorrer. A escala é humana, o centro é compacto e muitos serviços estão a distâncias perfeitamente caminháveis. Ainda assim, a realidade diária mostra uma cidade que continua excessivamente dependente do automóvel — e onde as alternativas, apesar do investimento feito, parecem não estar a funcionar como seria desejável.

No último ano, o município apostou na compra de autocarros elétricos para reforço do transporte público urbano. A intenção é positiva e alinhada com objetivos de sustentabilidade, se pensada de forma crítica desde a sua conceção. No entanto, basta observar o dia a dia da cidade para perceber um problema difícil de ignorar: muitos desses autocarros circulam frequentemente com poucos passageiros — quando não completamente vazios.

Este cenário levanta questões legítimas. O problema está na falta de procura ou na forma como a rede está desenhada? Os horários respondem às necessidades reais de quem trabalha, estuda ou tem compromissos regulares? As rotas ligam efetivamente as zonas habitacionais às zonas de emprego, escolas, serviços de saúde e comércio, ou existem apenas no papel?

Uma política de mobilidade não se mede pelo número de veículos adquiridos ou pelos quilómetros de rotas definidas, mas pela sua taxa de utilização. Autocarros vazios representam um desperdício de recursos públicos, sobretudo financeiros. Além disso, não têm contribuído para reduzir o trânsito nem para convencer os cidadãos a deixar o carro em casa.

Os resultados são previsíveis: mesmo para deslocações curtas, o carro continua a ser a escolha mais cómoda. E enquanto assim for, o investimento em transporte público corre o risco de ser simbólico, em vez de transformador.

Uma mobilidade sustentável exige mais do que boas intenções e anúncios de investimento. Exige planeamento, avaliação e correção. Significa ouvir quem usa — e quem não usa — o transporte público, ajustar percursos, repensar horários e integrar verdadeiramente os diferentes modos de deslocação.

A pergunta que Viana precisa de enfrentar não é se está a investir em mobilidade, mas se está a investir bem. Uma cidade pensada para pessoas não se constrói com autocarros vazios nem com ciclovias isoladas. Constrói-se com soluções que funcionam, que são usadas e que melhoram, de forma concreta, a vida de quem cá vive.

O investimento público do município está a ser o espelho dos hábitos criados nos último 30 anos de governação. É necessário que o sistema seja atrativo, abrangente e integrador para que a população o veja como uma alternativa viável para o seu estilo de vida.

Urge ainda, por último, pensar que os grandes locais de emprego, também se encontram nas freguesias e na periferia, como a Zona Industrial de Neiva que está repleta de empresas locais e onde se verifica um estado de ausência de serviços de transportes públicos nos horários ditos normais.»

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