Artigo de opinião de Carolina Couto, do PSD.
«Viana do Castelo, cidade onde o envelhecimento persiste e a juventude foge, enfrenta um desafio que vai muito para além de números. À medida que a população envelhece, com cada vez mais idosos e menos jovens em idade ativa, questões essenciais como saúde, mobilidade, habitação e coesão social tornam-se urgentes. Mas estará a cidade a agir de forma estratégica para inverter este quadro, ou apenas assiste, impotente, à transformação demográfica que ameaça o seu futuro? Este fenómeno, tão visível nas ruas, escolas e centros de saúde, exige uma reflexão profunda sobre as prioridades políticas, o papel da comunidade e a forma como imaginamos Viana do Castelo nas próximas décadas.
O envelhecimento da população em Viana do Castelo não é apenas uma estatística fria; é uma realidade que se sente no quotidiano. Escolas com menos alunos, comércio local a adaptar-se a clientes idosos, transportes e espaços públicos que nem sempre são acessíveis, todos estes sinais denunciam um desequilíbrio demográfico crescente. Ao mesmo tempo, os jovens sentem que a cidade não oferece oportunidades suficientes para permanecer: emprego qualificado escasso, poucas alternativas culturais e sociais, e um mercado imobiliário pouco acessível empurram muitos a procurar fora aquilo que aqui não encontram.
A falta de atratividade para os jovens não é apenas uma questão de lazer ou diversão; tem consequências diretas na vitalidade económica e social do concelho. Sem jovens, as ruas perdem movimento, o comércio local sofre, e ideias novas, empreendedorismo e inovação são empurrados para fora. Viana do Castelo arrisca assim tornar-se uma cidade confortável para envelhecer, mas pouco sedutora para quem ainda tem energia e vontade de construir o seu futuro.
As políticas públicas até existem, mas muitas vezes parecem reativas e pontuais, incapazes de enfrentar o problema de forma estrutural. Programas de apoio ao idoso, centros de dia ou pequenas iniciativas culturais são bem-vindos, mas não resolvem o desafio central: criar uma Viana do Castelo onde envelhecer não seja sinónimo de isolamento e, ao mesmo tempo, onde a juventude sinta vontade de ficar.
Além disso, o papel da comunidade local é crucial. Associações, coletividades e voluntariado têm potencial para preencher lacunas e criar redes de apoio, mas sem uma articulação clara com o poder local, o impacto permanece limitado. O envelhecimento populacional não é apenas uma responsabilidade do município; é um desafio coletivo que exige consciência e ação de todos. É de louvar as associações juvenis que criam ambientes e proporcionam atividades para todas as idades, de modo a dinamizar o seu território mais próximo e as suas gentes.
No entanto, este cenário não precisa de ser encarado apenas como um problema. Um planeamento estratégico e inovador pode transformar o envelhecimento em oportunidade: novos serviços adaptados à população sénior, promoção de empreendedorismo social, estímulo à participação cidadã e criação de espaços intergeracionais que unam experiência e renovação. Se a cidade não agir, continuará apenas a assistir à fuga da sua juventude, enquanto celebra com orgulho a experiência dos seus idosos. Mas se houver vontade política, criatividade e envolvimento comunitário, Viana do Castelo ainda pode tornar-se um exemplo de equilíbrio entre tradição, experiência e futuro, garantindo uma cidade viva e sustentável para todas as gerações.
Viana do Castelo não pode ser apenas um espaço para nascer, crescer, partir e regressar no fim da vida. Deve ser casa durante toda a vida. Esta cidade tem todo o potencial para isso, só está a ser mal aproveitado.»

