Carolina Couto: “Somos jovens, temos opinião, queremos ser ouvidos”

Artigo de opinião de Carolina Couto, do PSD.

«Somos jovens, temos opinião, queremos ser ouvidos: esta afirmação é mais do que uma simples declaração; é o sentimento de uma geração que não se conforma com o silêncio imposto pela falta de espaço e representação. É o grito de quem se recusa a aceitar a invisibilidade no momento de tomada de decisão. Vivemos num tempo em que a informação circula com rapidez e em que as vozes se multiplicam nas redes sociais, nas escolas, nas ruas e nas comunidades. No entanto, a opinião dos jovens é frequentemente permanecida à margem, limitada a papéis secundários ou consultivos, sem real influência em decisões que moldam o nosso presente e o nosso futuro.

Há um mês estávamos em plena campanha eleitoral, rodeados de promessas. O discurso era motivador, encantador até, cheio de palavras como, “mudança”, “esperança” e “futuro”. E, curiosamente, todos os caminhos convergiam num ponto comum: os jovens. Dizia-se que os jovens eram a esperança do futuro, que era com eles que o trabalho devia ser feito, que os candidatos lutariam por eles, para lhes dar um futuro melhor, para lhes dar condições de permanecerem na sua “casa”. Mas agora que as urnas já fecharam, fica a dúvida, será que tudo isso vai ser concretizado, ou foi apenas mais uma ilusão eleitoral?

Neste momento de pós eleições já nos é possível observar alguns lapsos. Quando alguém diz que está junto dos jovens, que a voz dos jovens é importante, é preciso demonstrá-lo verdadeiramente, e não deixar a ideia ser levada com a maré assim que o objetivo principal é concretizado: ganhar as eleições. Como diz o ditado “à mulher de César não basta ser, deve parecer…”. Os jovens não precisam de ser logo eleitos para presidente, secretário ou tesoureiro, mas devem ter lugar nas assembleias de freguesias ou assembleias municipais. É nesses espaços que se constrói a verdadeira representatividade e onde a geração mais preparada de sempre pode provar o seu valor com ideias realistas, nascidas da experiência concreta de quem sente na pele a precariedade laboral, a dificuldade de acesso à habitação e a falta de perspetivas de qualidade de vida.

Dar voz aos jovens não é um gesto simbólico, é um ato de coragem e de compromisso democrático. Envolvê-los nas decisões é reconhecer que têm capacidade, visão e vontade de transformar. Os jovens de hoje são informados, conscientes e determinados. Participam em causas ambientais, lutam pela igualdade, defendem a inclusão e querem uma política que os escute, não apenas quando convém, mas de forma contínua e consequente. É preciso abrir espaços reais de diálogo, incentivar a participação cívica nas escolas, criar fóruns juvenis locais e incluir jovens nos órgãos de decisão. O país ganha quando lhes dá lugar à mesa.

A democracia só é completa quando é intergeracional. Não se trata de substituir os mais experientes, mas de somar olhares, cruzar ideias e construir soluções conjuntas. As gerações mais velhas têm a experiência, mas os jovens trazem a energia, a inovação e a coragem de questionar o que sempre foi dado como garantido. Ignorar esta complementaridade é desperdiçar o motor da mudança.

Deixo uma citação do Eurodeputado Sebastião Bugalho em resposta a Miguel Sousa Tavares, quando lhe disse que era demasiado jovem para a política: “a idade passa com o tempo e se o país fosse mudar com as pessoas que estão cá há muito tempo, já tinha mudado antes…”. E eu completo; a renovação não é um risco, mas sim uma oportunidade.

Queremos ser ouvidos, queremos que as nossas ideias sejam levadas em consideração e com seriedade, porque sabemos que ninguém melhor do que nós pode expressar as inquietações da nossa geração. A nossa presença nos debates políticos, nas manifestações e nas instituições é sinal de compromisso com um país mais justo, sustentável e aberto ao futuro. Ser ouvido, para nós, é um ato político e é um passo fundamental para a renovação e fortalecimento da democracia.

A juventude não é futuro, é o presente. E é em parceria com os jovens que a política deve trabalhar. Ignorar-nos é desperdiçar a oportunidade de transformar a sociedade num espaço de verdadeira participação e esperança.

Ao meu partido quero deixar um agradecimento sincero, obrigada por acreditarem nos jovens, por nos darem voz, por nos incluírem nas ideias e decisões e por nos darem esperança para um futuro melhor em que nós estamos verdadeiramente incluídos.»

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