André Caetano: “Primavera e Poesia”

Artigo de opinião de André Caetano, advogado em Viana do Castelo.

«Chegam de mão dada, e sem avisar, com muitas poeiras, sol, e esperemos que, sem água, para que se possam desfrutar.

A alegria da primavera, em sintonia com o dia mundial da poesia, trazem alento ao belicismo que nos assombra, esperando que enquanto houver sol, também haja sombra onde nos possamos esconder. Uma no 20, outra no 21, enquanto muitos se sentam ao ar livre, sentindo a natureza e esperando ser o 22. A primavera promete o verão, a poesia acompanha qualquer estação, qualquer emoção, sensação, frieza ou combustão, tristeza ou explosão, na eterna busca por uma compreensão que nem sempre decorre do entendimento.

Entende e mente, o sol, em “vésperas” de “águas mil”, aguardando pelo dia das mentiras no 5, e pelo 1 de Abril também.

Fui ver a data da páscoa, antes de começar este “artigo”, já que a “minha” Quaresma só tem trivelas. Mas não estou aqui para falar de bola, ou de deus, se bem que há quem diga que foi ele que me mandou. A mim, e à primavera, por isso também será responsável pela poesia, pelo chilrear dos pássaros que buscam  parceria para a nidificação, pelo azul do céu que pinta sorrisos por onde passa, pela motricidade escassa que precede este belo brotar de sensações, pela romaria às praias, ou a Roma, ou onde quer que seja, pelas esplanadas cheias, tapas, sumos e cerveja, por tudo aquilo que um homem deseja, conquanto coloque essa responsabilidade em qualquer outra entidade, que não em si.

A primavera é bela, faz o rio correr para o mar um pouco mais devagar, para que se possam aproveitar os dias, que os Ricardos e as Lídias se vejam e se beijem sem pressa, sem medo, sem tempo, com tudo.

No entanto, há quem diga que a primavera não é o apogeu das sensações, apenas o caminho que conduz ao pináculo do ano, que, para nós vianenses, começa a notar-se quando chegam as matrículas amarelas. Eu prefiro a primavera, não a quero descrever como Cesário faria, perdia tempo e não a via e, quando desse por ela, teria passado, seria passado, e passado também eu seria, de tanto se alongar o dia, porque a noite é para os que querem que o amanhã chegue rápido.

A primavera é flor, fruto, vida, amor, luto, guarida, ardor, minuto, bebida, esplendor, estatuto, colorida…

A poesia é prosa que deseja versos, contos exóticos, macabros, perversos, estilos peculiares, encantos diversos, rimas que cruzam, sonetos que prendem, artigos que adormecem, livros que te enriquecem, palavras que não se esquecem, amarras que prendem a mais rebelde das almas, criada pelo ego dos deuses para que deles se pudesse falar, cultivada pelo humano que a procura para se libertar, uma ode aos poetas, psicólogos do pensar, narcisos patetas que vêm na página branca, um lar, caneta teimosa, que insiste em acabar.

Gostava de escrever mais sobre a primavera, esmiuçá-la como à tua prima vera, mas, agora só me sai isto, some e vem cristo, depois de 3 dias fora, ao sol, ou na gruta, schroedinger, escuta, labora e labuta, enquanto se aflora da luta e uma amora matuta se ainda está verde para ingerir, se os espinhos guardam ninhos de vespas ou de melro, se lá residem em permuta, esquece e escuta, e aproveita este sol enquanto não escurece, sê raio de luz para que quem te rodeia não careça de lanternas, não desvaneça em tabernas…

Sê poesia num mundo de gritos, exclama declamando, sê primavera num mundo de mitos, porque és o sol que buscas numa estação, já que tal como dizia o senhor Benjamim, as únicas garantias que tens, é a morte e os impostos, por isso, enquanto a primeira não chega, vive as tuas primaveras com poesia, e a tua poesia como quiseres.»

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