Artigo de opinião de André Caetano, advogado em Viana do Castelo.
«Questão prévia: numa pequena nota pessoal, deixo aqui um fraterno cumprimento ao meu capitão e amigo, Rui Carvalho, que termina no próximo sábado, o seu percurso futebolístico, dentro das quatro linhas.
Estamos naquela altura do ano em que os jovens tiram uma semana para perder anos de vida, queimam as fitas, fumam os canudos e ficam aptos a entrar no mercado de trabalho. Confesso que por vezes fico nostálgico ao pensar nos tempos de despreocupação e folia, da magia das serenatas, do barulho do cortejo, de visitar amigos na gata na saúde, da maior fonte de stress ser um teste de Declaratório na sexta-feira de Enterro. Não obstante, hoje em dia estou mais perto do Restelo quando me deparo com este tipo de fenómeno, pelo menos no que concerne a vivê-lo em primeira mão, não tenho pulmão para estas atividades de grupo e, como diz o Espama Trincana, que vem aqui a Viana, essa droga não se vai fumar sozinha.
Ser jovem é viver, ser velho é julgar, e eu que estou no meio desse espetro gostaria de ir permanecendo neutro, tanto quanto possível, desejando que todos os intervenientes nestes fenómenos académicos, vivam o dia (e a noite) como se fosse o último, tendo porém a consciência de que, se deus, ou allah, ou haShem (o que tiver de escala, nesse dia) quiser, não será!
Deixo também uma recomendação à organização da Queima das Fitas de Lisboa: Para o ano, promovam o evento como sendo religioso, talvez assim o Dr. Moedas não só não cancele como talvez até apareça para tomar uns shots de sangue de cristo. Pelo menos por aqui, o máximo que o nosso nobre Presidente da Câmara faria, quanto a restrições, era trocar os carrinhos do cortejo por bicicletas!
Em simultâneo às queimas das fitas, também nos começamos a preparar para a época de incêndios. Reforçamos o patrulhamento do monte de Sta. Luzia com militares, aos quais agradeço, porque vivi anos preocupado com o meu pai em tempos de fogo. A Deontologia, e o senso comum, vinculam-me a uma postura que se afaste do “pensamento” populista de que “os incendiários deviam morrer queimados”, não tenho em mim tais cogitações, sem que isso signifique que não entenda a dor das famílias que perdem entes queridos para as chamas.
Pensar a questão do ponto de vista jurídico e legislativo também é complicado. Aumentar a moldura penal coloca questões de adequação e proporcionalidade, entre outras, e a temática da construção em terrenos ardidos também é bem mais complexa do que meia dúzia de postas de pescada em um artigo, pelo que o meu contributo será tão inútil quanto o desejar pelo melhor.
Na verdade, o que eu queria era que esta época de incêndios se limitasse ao tocar do “Bota fogo no terreiro”, nas festas das terrinhas, seria um belo milagre, contudo, começamos mal, porque ninguém me deu boleia para a Cova da Iria, no dia 13.»

