Viana: paisagem cultural marítima e subaquática vai ser alvo de trabalhos arqueológicos

A paisagem cultural marítima e subaquática de Viana do Castelo vai ser alvo de trabalhos arqueológicos pelo Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, Instituto Público e pela Unidade Orgânica de Arqueologia (UOA-CMVC) da Câmara Municipal de Viana do Castelo, no âmbito de uma campanha a decorrer entre os dias 18 e 30 de maio.

O objetivo é aprofundar o conhecimento científico do património arqueológico marítimo e subaquático de Viana do Castelo – uma das áreas com maior sensibilidade arqueológica em Portugal continental – contribuindo para uma melhor gestão dos bens, o que inclui a sua salvaguarda, divulgação e valorização.

Os trabalhos a desenvolver nesta campanha resultam de uma articulação institucional de proximidade, cimentada nos últimos dois anos na sequência de importantes achados fortuitos encontrados no rio Lima e no mar de Viana do Castelo, e também no âmbito da salvaguarda preventiva deste património cultural.

No mar e no rio conhecem-se perto de uma centena de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais para este património, cuja importância está bem patente no forte valor identitário e na intrínseca ligação dos Vianenses com o mar.

Pirogas do Rio Lima

Um dos elementos que se destaca é o conjunto de pirogas encontradas no rio Lima, nos sítios de Lugar da Passagem (entre Lanheses e Moreira de Geraz do Lima) e S. Simão (Mazarefes e Santa Marta).

A relevância do conjunto de seis pirogas, enquanto primeiro testemunho arqueológico da navegação em Portugal há mais de 2500 anos e que se prolongou até à Baixa Idade Média, foi reconhecida em 2021 com a classificação de Tesouro Nacional, pelo seu valor científico e patrimonial, sem paralelo na Península Ibérica e único em Portugal.

A Piroga 7 do rio Lima, encontrada no início de 2023 na Ínsua, entre as freguesias de Mazarefes-Santa Marta, será uma das peças arqueológicas em destaque nos trabalhos previstos nesta missão.

Construída a partir de um único tronco de árvore, com mais de cinco metros de comprimento, a piroga vai poder ser visitada pela população no próximo dia 22, pelas 17:30 horas. Nesta visita também serão dados a conhecer os trabalhos de registo, tratamento e análise que vão ser desenvolvidos.

Apelo à participação

Outro dos objetivos dos trabalhos arqueológicos do CNANS é a verificação de achados fortuitos que a comunidade local conhece ou encontra no mar. Há mais de 30 anos que pescadores, mariscadores, caçadores submarinos e mergulhadores reportam vestígios arqueológicos na costa de Viana do Castelo.

Pretende-se agora proceder ao inventário, localização, registo arqueológico e caracterização de vestígios como âncoras e ânforas romanas, anforetas, peças de artilharia e âncoras modernas e naufrágios contemporâneos encontrados frente a sítios como Viana do Castelo, Montedor, Amorosa e Castelo de Neiva.

Neste sentido, o CNANS e a UOA-CMVC apelam à participação da comunidade marítima de Viana do Castelo para partilharem informações sobre peças e vestígios arqueológicos que saibam existir na frente ribeirinha, no rio Lima e no mar de Viana do Castelo.

O resultado preliminar dos trabalhos de arqueologia marítima e subaquática será apresentado no dia 29 de maio, pelas 17:30 horas, na Biblioteca de Viana do Castelo. A participação em ambas as atividades é gratuita, mas requer inscrição prévia através do email arqueologia@cm-viana-castelo.pt.

Os trabalhos a desenvolver nesta campanha terão a participação da Cátedra da UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, através do CHAM – Centro de Humanidades, e a colaboração dos Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, do Centro de Formação Regional de Viana do Castelo (CFRVC- CNE JR), do centro de mergulho Cavaleiros do Mar e do achador Mário Jorge, entre outros elementos.

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