IPVC debateu o papel da Inteligência Artificial na transformação das organizações

O impacto da Inteligência Artificial (IA) na forma como as organizações pensam, decidem e criam valor esteve em análise no Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), numa sessão que reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios da transformação digital e o papel das instituições na preparação para esta mudança estrutural.

A sessão “Digital Transformation: Building AI-Driven Organizations” colocou em destaque o papel crescente da Inteligência Artificial na forma como as organizações operam, tomam decisões e criam valor, centrando-se na sua aplicação prática em contextos organizacionais e na redefinição de modelos de decisão, num momento marcado por profundas mudanças tecnológicas e estratégicas.

Na abertura, o diretor do Centro de Investigação ADiT-Lab, Jorge Esparteiro Garcia, sublinhou a importância de aproximar o conhecimento científico dos desafios concretos das organizações, destacando o papel da unidade de investigação na promoção de soluções aplicadas no domínio da transformação digital.

A transformação digital só ganha verdadeiro significado quando se traduz em respostas concretas aos desafios das organizações. O papel do ADiT-Lab é precisamente esse: ligar investigação, tecnologia e contexto real, contribuindo para decisões mais informadas e para organizações mais preparadas para a mudança“, referiu.

O responsável destacou ainda o percurso recente da unidade, nomeadamente a atribuição, pela primeira vez, de financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, considerando tratar-se de “um reconhecimento da evolução do ADiT-Lab enquanto unidade emergente e da relevância do trabalho desenvolvido na área da transformação digital, com impacto organizacional e social“.

Também presente na sessão, a vice-presidente do Politécnico, Ana Paula Vale, enfatizou a dimensão estrutural das transformações em curso, defendendo que a IA deixou de ser um conceito distante para passar a integrar o quotidiano das instituições e das empresas.

A questão já não é saber se a Inteligência Artificial deve ser utilizada, mas como pode ser integrada de forma crítica, responsável e estratégica. Estamos perante uma mudança estrutural que exige uma nova forma de pensar organizações, competências e modelos de decisão“, crê.

Ana Paula Vale sublinhou ainda o papel do ensino superior neste contexto, destacando a necessidade de preparar profissionais capazes de lidar com a complexidade e a incerteza.

Mais do que transmitir conhecimento, importa formar cidadãos capazes de interpretar, questionar e utilizar a tecnologia de forma consciente. A Inteligência Artificial deve ser entendida como uma ferramenta que amplia capacidades humanas, e não como um substituto do pensamento“, considerou.

O momento central da sessão foi a keynote de Marc K. Peter, docente e especialista internacional em transformação digital, que apresentou uma abordagem prática à construção de organizações orientadas por Inteligência Artificial.

A transformação digital não começa na tecnologia, mas na capacidade de as organizações definirem claramente as suas prioridades estratégicas. A Inteligência Artificial deve ser integrada como parte de uma visão estruturada, sustentada no conhecimento e na experiência das equipas“, explicou.

Com mais de três décadas de experiência internacional, o especialista destacou ainda que os desafios da transformação digital atravessam organizações de todas as dimensões, sublinhando a importância de desenvolver roadmaps próprios e adaptados a cada realidade.

A sessão incluiu também um think tank colaborativo, que promoveu o diálogo entre especialistas das áreas da tecnologia e inovação, num espaço de reflexão conjunta sobre o futuro das organizações orientadas por dados e Inteligência Artificial.

O debate evidenciou diferentes perspetivas sobre a adoção da Inteligência Artificial em contexto empresarial, desde os desafios tecnológicos à adaptação organizacional e à definição de estratégias digitais sustentadas.

Nesta sessão ouviram-se contributos e partilhas de Pedro Vieira da Silva, Chief Technology Officer at Critical TechWorks, Ana Isabel Azevedo, Senior Expert at European Commission for Education, Culture & Audiovisual e Digital Transformation Consultant, e Miguel Cordeiro, Corporate Information Technology Director at Rangel Logistics Solutions.

A sessão, desenvolvida também no âmbito do PAT.Tech II, projeto do IPVC desenvolvido para a transferência de conhecimento académico para as empresas, contou, ainda, com uma intervenção da diretora da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC, onde decorreu o evento.

Mafalda Laranjo falou do papel das instituições de ensino superior na promoção do diálogo entre academia, indústria e sociedade, bem como na produção de conhecimento relevante para os desafios atuais.

Iniciativas como esta refletem o compromisso das instituições de ensino superior com a criação de conhecimento e com a sua aplicação em contextos reais, promovendo a ligação entre investigação, inovação e necessidades da sociedade“, disse.

O que é o ADiT-Lab

O ADiT-Lab, unidade de investigação do Politécnico de Viana do Castelo responsável pela organização da iniciativa, tem vindo a afirmar-se como um polo de referência na área da transformação digital para a sustentabilidade.

Assente numa abordagem multidisciplinar, integra competências nas áreas das tecnologias da informação e comunicação, eletrónica e domínios complementares como a saúde, o desporto, a energia ou a matemática, desenvolvendo investigação aplicada em ambientes inteligentes, meios interativos e processos organizacionais, com a cibersegurança como eixo transversal.

Reconhecido em 2025 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com a classificação de bom e financiamento pela primeira vez, o ADiT-Lab reforça o seu posicionamento a nível nacional e internacional, apostando na produção científica, no desenvolvimento de projetos colaborativos e no alargamento das suas redes de cooperação, com o objetivo de consolidar, até ao final da década, uma presença ativa em consórcios e iniciativas de investigação internacionais.

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