Artigo de opinião de Francisco Araújo, membro do Comité Central do PCP e responsável pela Organização Concelhia de Viana do Castelo.
«Tomar a iniciativa com os vianenses foi o mote para a Assembleia do passado sábado que reuniu cerca de meia centena de comunistas do concelho de Viana do Castelo. No mês em que o PCP comemora o seu 105º aniversário, a Assembleia ajudou a explicar por que é que este Partido é diferente, porque sempre resistiu e resiste. Não houve moções do chefe ou grandes números para a Comunicação Social, antes a discussão concreta dos problemas das populações: falou-se dos ritmos de trabalho acelerado nas empresas e da escalada dos custos da habitação, das tarifas da AdAM e do estrangulamento dos Serviços Municipalizados, da rede de saneamento que em 2026 não é universal, da erosão sentida nas freguesias litorais ou da degradação do Serviço Nacional de Saúde. Não houve pressões internas, contagem de espingardas ou conversas de bastidores, os documentos foram elaborados colectivamente e todos foram chamados a dar a sua opinião. Não são, de facto, todos iguais.
Viana do Castelo é a capital do Alto Minho, um polo industrial de relevo, com uma localização estratégica, mas o concelho não estanca o esvaziamento demográfico, que se traduz em menos vizinhos, amigos e familiares a viver e a trabalhar na nossa terra. Um território a envelhecer sem conseguir fixar os seus jovens e trabalhadores, onde o poder de compra continua abaixo da média nacional. A pujança dos sectores da construção naval, de componentes automóveis ou da grande distribuição contrasta violentamente com a realidade de quem produz: baixos salários, precariedade laboral e horários desregulados num concelho onde a riqueza é exportada, mas a pobreza é retida.
É um lugar comum referir num jornal local as potencialidades do nosso concelho e durante a Assembleia a ideia das infinitas potencialidades contrastou com a realidade estagnada, indissociável da evolução da situação nacional e particularmente das políticas do governo PSD/CDS que, ora com o apoio do Chega e da IL ora com a cumplicidade do PS, favorecem uma ínfima minoria, degradam os serviços públicos e as condições de vida da maioria.
Mas a Assembleia não se limitou a denunciar os problemas e avançou com 10 propostas prioritárias para a melhoria da vida dos vianenses, que motivarão a acção dos comunistas nas ruas e nos órgãos autárquicos, honrando o património de intervenção e as responsabilidades que temos assumido ao longo das últimas décadas.
O transporte público urbano, entre outros, é exemplo de que vale a pena ouvir o PCP e a CDU. Após anos de reivindicação, o Município assumiu a responsabilidade pela gestão do sistema de transportes urbanos (TUViana), depois de anos em que o operador privado não respondeu às necessidades e as melhorias são notórias. O primeiro passo foi dado e agora, como aponta a Resolução da Assembleia, é necessário alargar a rede, melhorar a sua frequência e garantir a sua acessibilidade a toda a população.
Os resultados das últimas eleições autárquicas significaram a perda de mandatos em órgãos autárquicos, o que exigirá um trabalho redobrado dos comunistas, ecologistas e de tantos independentes que constituem a CDU para continuar a intervir e voltar a crescer nas próximas eleições, porque as populações sentirão mesmo a falta dos eleitos e particularmente de um vereador da CDU na Câmara Municipal. Por outro lado, a manutenção da presidência da União das Freguesias de Viana do Castelo e Meadela pela CDU, naquele que é o território mais populoso e central do concelho e do distrito, é um bastião de resistência e a prova inequívoca do mérito de uma gestão baseada no trabalho, na honestidade e na competência.
A população de Viana do Castelo pode continuar a esperar dos comunistas proximidade e atenção aos problemas, a honestidade e humildade na acção política, a organização e dinamização da luta por melhores condições de vida e contra o aumento do custo de vida, tendo sido convocado pela Assembleia um buzinão a decorrer no dia 10 de Abril, pelas 17h00, na Rotunda da Mercedes.
Foi assim uma Assembleia diferente de um Partido diferente, onde participou inclusivamente gente sem filiação partidária, porque aqui é sempre bem-vindo quem vier por bem. A Comissão Concelhia eleita, composta por 22 membros entre militantes com décadas de experiência e outros com alguns meses, é reveladora de um Partido com muito orgulho da sua história centenária, mas também confiança e ousadia para avançar porque os boatos de fim da História se mostram todos os dias manifestamente exagerados.»

