Viana quer “trabalhar e densificar ecossistema em torno da economia do mar”

Viana do Castelo recebeu esta quarta-feira, dia 4, conferência “A Economia do Mar – Do vento às ondas de inovação”, no âmbito dos 50 anos do Poder Local.

Durante o evento, Luís Nobre, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, garantiu que o Município vai continuar a “trabalhar e densificar o ecossistema em torno da economia do mar“.

Todos nós sentimos que a economia azul é uma oportunidade, por todo o processo associado às atividades económicas e ao impacto que tem a nível social“, disse o autarca, lamentando o “adiamento” de um real investimento nacional na economia azul.

Precisamos mesmo de decidir neste domínio, para que se possam dar reais oportunidades às atividades já existentes e permitindo o surgimento de outras atividades em torno do mar“, acrescentou, dando como exemplos a academia, a investigação, a construção e reparação naval, as energias renováveis, entre outros.

Rafael Barbosa, diretor do Jornal de Notícias, considerou que, em Viana do Castelo, “a economia do mar é muito mais do que um chavão“, já que “é ambição do Município atrair investimentos públicos e privados na ordem dos mil milhões de euros até esta década“.

O orador convidado, Manuel Tarré, presidente do Conselho para a Economia do Mar da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), defendeu que investir na economia azul “não se trata de colocar só turbinas no mar, mas de dominar o conhecimento sobre o interface atmosfera/oceano“.

O mar deverá ser não um espaço de pesca e passagem, como tem sido até agora, para se tornar um motor de sustentabilidade global“, disse Manuel Tarré, afirmando que este investimento nacional “dará uma outra grandeza“.

Na sua apresentação, recordou ainda que Portugal é o maior consumidor de pescado per capita da União Europeia, com valores que rondam os 59/60 quilos, muito acima dos 21 quilos de média mundial ou dos 24 quilos de média da União Europeia.

A fechar a sessão, Álvaro Santos, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), referiu que “a economia do mar assume uma importância estratégica inequívoca para o Norte e para o país“, uma área “que deixou de ser setorial para se afirmar como eixo estruturante do desenvolvimento económico, industrial, energético e territorial“.

A economia do mar é uma cadeia de valor complexa que integra conhecimento científico, capacidade industrial, financiamento, ordenamento do território e sustentabilidade ambiental. A região Norte reúne condições particularmente favoráveis para assumir um papel de liderança neste processo – dispõe de tradição industrial, competências técnicas consolidadas, de universidades, centros de investigação reconhecidos, infraestruturas portuárias relevantes e de uma posição atlântica estratégica“, frisou.

Álvaro Santos lembrou também que o “somatório destes ativos não produz, por si só, desenvolvimento“, pelo que é preciso “articulá-los através de uma visão estratégica coerente, prioridades claras e uma governação orientada para resultados“.

De seguida, defendeu que o investimento na economia azul “exige um planeamento regional consistente e continuidade das políticas públicas“, pelo que “a afirmação do Norte na economia do mar dependerá da nossa capacidade coletiva de transformar reflexão em execução, estratégia em investimento qualidade e potencial em criação efetiva de valor“.

A conferência contou ainda com um primeiro painel, dedicado ao “Território, Turismo e Investimento Costeiro”, com Artur Jorge Silva, consultor em projetos turísticos e imobiliários; Miguel Marques, coordenador do Plano de Ação de Viana do Castelo da Agenda do Mar 2030; Bento Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros – Região Norte; Luís Monteiro, chefe de Divisão do Ambiente e Eficiência Energética da APDL; e José Sampaio, CBO da FeelEverywhere.

O segundo painel, “Energias Oceânicas e Inovação Tecnológica”, integrou Jorge Delgado, coordenador do Sustemare (Centro de Tecnologia e Inovação); João Zorrinho, gestor da Fileira Economia Azul da AICEP; José Pinheiro, country manager Iberia da Ocean Winds e membro da Direção da APREN; e Manuel Costeira da Rocha, country manager Iberia da CorpPower Ocean.

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