José Belo: “Saudades do que a gente ainda não viveu. De que têm medo os vianenses?”

Artigo de opinião de José Belo, do Chega.

“Saudades do que a gente ainda não viveu”, disse sabiamente Neymar Jr. numa frase curta, quase despretensiosa, mas que carrega o peso de uma tristeza que poucos ousam nomear.

É a melancolia do possível, do que poderia ter sido, do que nos escapa antes mesmo de existir. Um sentimento que acompanha qualquer um, menos, talvez, o futurista – aquele que só olha para a frente, para o que virá, como se o presente fosse insuficiente e o passado irrelevante.

“A democracia é o pior dos sistemas com exceção de todos os outros”, ensinou-nos Winston Churchill.

A frase está muito gasta e usada, mas continua a servir para nos recordar que o sistema democrático encerra muitas imperfeições. Ainda assim, é melhor que todas as outras formas do governo, desde logo, porque dá a possibilidade aos cidadãos de decidirem sobre o seu destino coletivo.

Acresce que a participação cívica, a liberdade de expressão, a independência dos media e a realização de eleições permitem uma maior fiscalização escrutínio e responsabilização dos governos Concelhios.

As governações Concelhias falham muitas vezes porque o poder político e decisório está concentrado em grupos restritos, que se eternizam, que criam e controlam instituições e organismos que vampirizam os recursos endógenos, obstaculizando a iniciativa fora desses grupos, o investimento, o talento e a inovação, o comércio livre e a competição de mercado, resultando em um fraco crescimento económico, desigualdades sociais e reduzidos níveis de bem-estar.

O poder local, em boa verdade, passa a existir prioritariamente para acautelar os interesses das clientelas partidárias, dos grupos restritos e gerar emprego para os seus atores, famílias e próximos.

Quando assim acontece, o poder local não é o motor do desenvolvimento de que o país necessita e tal reflete-se essencialmente em duas áreas que nos parecem bastante interdependentes: o ordenamento territorial e urbanismo e o desenvolvimento económico.

Os autarcas afirmam sempre que querem desenvolvimento, mas fazem questão que o mesmo dependa deles em exclusivo, já que daí retiram dividendos políticos de modo direto. Não estão abertos a partilhar os louros do eventual sucesso com a sociedade civil porque, pura e simplesmente, o seu foco não reside na prestação de um bom serviço à comunidade, mas na criação de condições para a reeleição no próximo mandato.

A “parolice” que se assiste em Portugal, de 4 em 4 anos, a partir dos 6 meses antes da data das eleições autárquicas, com inaugurações, assinatura de protocolos, gestão de obras por todo o lado, algumas inconsequentes, outras desnecessárias, só para mostrar trabalho e conduzir os incautos ao “voto certo”, mais não é do que o reflexo de uma mentalidade muito pobre destes autarcas, do nosso descontentamento, com máquinas autárquicas pesadíssimas, ineficientes na qualidade e prazo dos serviços prestados, autênticos sorvedouros do erário público e com muito pouco retorno à comunidade.

Infelizmente, o poder local, sempre pressionado por opções e aparelhos partidários, não corresponde aos padrões mínimos de qualidade e rigor desejáveis para encontrar e implementar as melhores opções para os cidadãos e para o território.

No caso de Viana do Castelo, tendo sido realizadas as eleições do passado dia 12 de outubro, chegamos à conclusão que pouco ou nada adiantaram para a população e para o território. Os debates incidiram mais nas diatribes político-partidárias do que em propostas concretas de mudança e estas últimas, quando surgiram, foram quase sempre pouco consistentes, credíveis e até exequíveis. Quanto aos resultados, tudo na mesma…

Destas eleições, resultou uma solução de governo camarário, decidida por todos os vianenses, que se revela e constitui quase um assombro, comparando com o que era expectável e desejável.

Havendo a concorrer listas de 7 partidos, um objetivo era desejado por todos eles, que seria além da vitória, o terminar com a longa maioria de quase 32 anos de governo socialista neste concelho.

Quem como nós, candidatos do partido CHEGA, durante a campanha eleitoral percorreram freguesias e lugares, contactaram diretamente a população, fomos ouvindo, inclusivamente na cidade, e tomamos nota do grande descontentamento em relação a esta Câmara e respetivo elenco governativo, que durante estes últimos 4 anos de maioria arrastaram Viana do Castelo para um nível de desenvolvimento quase residual comparado com outras capitais de distrito, em vários rankings nacionais.

Por exemplo, na cidade, percorremos quase todas as ruas e lojas da cidade, sendo-nos manifestado pelos proprietários e pelo cidadão comum, um enorme desagrado e desconforto em relação ao governo e destinos da cidade. Eu próprio entrei e saí de inúmeras lojas e ouvi as queixas, estradas cortadas aos fins de semana, ruas mal iluminadas, lixo, inexistência de estacionamento, ruas estreitadas com floreiras, ruas esvaziadas de pessoas, etc., etc., etc.

Posto isto, as alternativas iam sendo por nós apresentadas, sempre bem recebidas e com a crença afirmativa de que seria agora a oportunidade de mudar Viana do Castelo, ou “Salvar Viana”.

Acreditamos que com os outros partidos concorrentes a estas eleições, as situações de campanha foram semelhantes, havendo sempre esta manifesta vontade de mudar por parte dos Vianenses e sempre esta necessidade afirmada de acabar com esta maioria.

O que é certo é que, para surpresa de todos, acredito que até para o Partido Socialista, ao final da noite é confirmada a repetição e a continuação da maioria socialista nesta cidade. Mais nos espantou o facto de não só ter sido confirmada a maioria do Partido Socialista, mas a maioria com exatamente o mesmo elenco de vereadores, que na rua, manifestamente durante toda a campanha e não só, foram sempre salientadas as questões, os problemas e a má governação existente.

Para o partido CHEGA foi uma situação, como se costuma dizer, de morrer na praia. Ao nosso segundo vereador, este humilde narrador, faltaram 450 votos para ser eleito. Tendo acontecido a eleição, não teria sido eleita a Senhora Vereadora Engenheira Fabíola, sendo então uma situação de duas vitórias para a cidade e para o CHEGA, pois seria eleito o segundo vereador do CHEGA e quebraríamos este ciclo de maioria socialista.

Os vianenses assim não quiseram. Consideramos que foi uma oportunidade perdida, mas temos unicamente que assumir com brio e rigor, os lugares para os quais fomos eleitos, desejar todas as felicidades e a melhor governação ao Sr. Presidente Arquiteto Luís Nobre, aos vereadores da maioria socialista e aos vereadores da AD.

Garantimos que, através da nossa presença nos diversos órgãos para os quais fomos eleitos: Vereação, 5 lugares na Assembleia Municipal e 12 em Assembleias de Freguesia, tudo faremos para salvar Viana, melhorar a vida dos vianenses e proporcionar um caminho de crescimento e progresso que nos levará a que, daqui a 4 anos, em novas eleições, os vianenses acreditem em nós e nos deem a vitória tão desejada por nós e merecida para Viana do Castelo.»

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