Miguel Dias: “O Futuro é a nossa Herança”

Artigo de opinião de Miguel Dias, candidato do ADN à Assembleia Municipal de Viana do Castelo.

Todos os partidos com assento parlamentar – e candidatos à Câmara Municipal de Viana do Castelo – foram convidados para participar nesta rubrica.

«Como candidato, sou um cidadão igual a muitos de vós, que sente que algo precisa de mudar em Viana do Castelo. Este texto não é um apelo ao voto, mas uma partilha de convicções. Dirige-se, em especial, àqueles que, desencantados com a política local, equacionam abster-se no próximo dia 12 de outubro.

A abstenção é, muitas vezes, um grito de desalento perante um sistema que parece surdo aos anseios das pessoas. É a percepção de que, independentemente de quem detenha o poder, a nossa vida pouco se altera. Compreendo esse sentimento. No entanto, a abstenção não é solução. É desistir e entregar o controlo sobre o destino da nossa terra a outros.

A minha visão para Viana do Castelo assenta em pilares simples, mas essenciais como fiscalização, responsabilidade, identidade e qualidade de vida. Acredito que as decisões devem ser tomadas o mais próximo possível dos munícipes, como por exemplo, a separação da freguesia de Meadela, que foi unida contra a Vontade dos Vianenses.

Está na altura de devolver a soberania às freguesias, concedendo às juntas de freguesia os meios e a autoridade para gerirem o que lhes pertence.

Esta é a verdadeira descentralização, afastada do centralismo sufocante que os partidos do regime praticam.

Esta filosofia de proximidade aplica-se a todos os domínios.

Na economia, defendo uma gestão rigorosa e prudente do erário público. Cada euro dos nossos impostos deve ser tratado com o respeito que merece. Isso implica combater o desperdício, simplificar os licenciamentos com responsabilidade para atrair investimento genuíno e criar um ambiente favorável aos nossos pequenos e médios empresários, que constituem a espinha dorsal da nossa economia local.

A nível social e cultural, é urgente travar a degradação dos nossos valores e do nosso património. Viana do Castelo é uma cidade com uma história riquíssima, tradições únicas e uma identidade forte. Compete à Câmara Municipal ser o guardião desta herança, promovendo-a com orgulho e protegendo-a da erosão cultural que se observa noutros lugares. As nossas festas, o nosso folclore, os nossos rios são ativos inestimáveis que devem ser valorizados, mas não convertidos em meros produtos turísticos descartáveis.

Uma política cultural séria preserva o passado para edificar um futuro com raízes.

Muitos dos que se abstêm partilham estas preocupações. Sentem que a cidade perdeu a sua alma, que as prioridades estão invertidas, que se investe em projetos efémeros em vez de se resolverem os problemas de fundo, como a limpeza das ruas, a manutenção dos espaços verdes, a mobilidade, a segurança. Têm razão.

O que vos proponho é uma alternativa de bom senso. Uma visão que não é revolucionária, mas restauradora. Não pretendo reinventar Viana do Castelo, apenas quero devolver-vos a Viana que mereceis, uma cidade próspera, limpa, segura e orgulhosa da sua identidade. Uma cidade onde as famílias possam educar os filhos com tranquilidade e onde os nossos idosos sejam tratados com a dignidade que lhes é devida.

O dia 12 de outubro não é sobre mim, nem sobre o ADN. É sobre Viana do Castelo. É sobre decidirmos se continuamos a aceitar o declínio administrativo e cultural, ou se optamos por um caminho de autonomia, responsabilidade e orgulho local. Aos abstencionistas, digo que a vossa voz é demasiado importante para ser silenciada. Não entreguem o futuro da nossa terra a outros. Reclamai-o!»

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