Artigo de opinião de Carolina Couto, do PSD.
Todos os partidos com assento parlamentar – e candidatos à Câmara Municipal de Viana do Castelo – foram convidados para participar nesta rubrica.
«Viana do Castelo, cidade histórica, cultural e tradicional, é uma cidade ideal para uma criança crescer, um jovem aprender e um sénior desfrutar da sua reforma. Porém, também com desafios que marcam o presente e condicionam o futuro: o envelhecimento populacional, a desertificação de pequenas aldeias, a fuga dos jovens para as grandes cidades ou países com melhores ofertas e oportunidades. A necessidade de reter talento assume, assim, um papel central e importantíssimo para o desenvolvimento local. Neste contexto, a autarquia desempenha um papel determinante enquanto pilar de proximidade e motor deste desenvolvimento, criando deste modo condições e inspirações para reter e atrair as novas gerações.
Reter os jovens em Viana não significa impedir que procurem experiências fora da sua cidade berço, mas sim criar condições para que a decisão seja unicamente deles, e não sejam obrigados a sair; para que, quem esteja prestes a acabar a sua licenciatura, não seja atormentado pela pergunta “E agora, terei condições e oportunidades de ficar na minha cidade, ou sou obrigado a «emigrar?»”. É necessário que os jovens vianenses sintam que aqui podem regressar ou permanecer. Para isto, é necessário que a autarquia aposte numa gestão eficiente dos recursos, valorizando iniciativas privadas e criando condições para que o talento local floresça. A autarquia não deve dar o peixe, deve dar a cana e ensinar a pescar.
Com o objetivo de compreender melhor a visão dos jovens, realizei um questionário que contou com a participação de 50 jovens estudantes. Os resultados mostram que, embora 60% desejem permanecer na região nos próximos cinco anos, 54% consideram que a autarquia não oferece condições suficientes para tal. As áreas mais apontadas como prioritárias foram emprego qualificado (68%) e habitação acessível (55%), seguidas de incentivos ao empreendedorismo (33%). Além disso, 74% afirmam que ficariam mais motivados a permanecer no concelho se houvesse investimento nestas áreas, demonstrando que políticas locais bem direcionadas podem ter impacto direto na fixação dos jovens. (https://shorturl.at/Lnqzt )
Perante este cenário, a autarquia deve investir em soluções concretas. Primeiro, oferecendo condições para que empresas se estabeleçam no concelho, criando estas emprego qualificado. Esta ação pode ser feita através do reforço dos setores estratégicos já presentes no concelho, como a economia do mar, a indústria naval e o turismo sustentável, articulando-se com empresas e instituições de ensino superior, como o IPVC (Instituto Politécnico de Viana do Castelo). E… já que sonhar não custa, porque não tentar junto do Ministério da Educação a criação de uma Universidade em Viana, ou pelo menos um polo de uma Universidade, alargando desta forma a oferta atualmente existente. Só assim será possível gerar oportunidades competitivas, reduzindo a necessidade de os jovens procurarem empregos noutras cidades ou países.
Em segundo lugar, é fundamental implementar programas de habitação jovem com rendas acessíveis, permitindo que os jovens possam construir a sua vida em Viana. Este apoio pode ser articulado com incentivos ao empreendedorismo, facilitando a criação de novos negócios, através de apoios financeiros e da simplificação de processos burocráticos. Deste modo, além de reter talento, a autarquia estimula a sua economia local.
Contudo, o futuro não se constrói somente com base na economia e na habitação. É fulcral garantir qualidade de vida: transportes públicos eficazes, oferta cultural diversificada (para além das festas da Sra. da Agonia e do festival “Bate forte”), bem como espaços de lazer, que tornem Viana uma alternativa viável aos grandes centros urbanos. A criação de infraestruturas, programas de voluntariado e um gabinete municipal da juventude são passos extremamente importantes para a construção de um concelho mais vibrante e inclusivo.
Outro aspeto crucial, coerente com a matriz social-democrata, é a participação cívica. A Câmara Municipal e a rede de freguesias têm aqui uma oportunidade clara: ouvir os jovens, promover conselhos municipais de juventude e integrar as suas propostas na ação política, reforçando assim o espírito democrático e aproximando a comunidade de decisões públicas. A juventude de Viana é criativa, empreendedora e orgulhosa da sua terra. Se sentir que é parte integrante na construção do futuro do seu concelho, dificilmente procurará realizar-se noutro lugar. É necessário dar voz aos jovens!
Viana do Castelo tem todos os trunfos para se afirmar como um território de juventude: património, mar, gastronomia, inovação e cultura. Falta somente consolidar estratégias integradas que una estas dimensões e coloque os jovens no centro das decisões. O poder da autarquia está precisamente nisso: transformar Viana não apenas na “Princesa do Lima” que se visita, mas no lar que se escolhe para viver, trabalhar, constituir família e sonhar.
Para finalizar, reter os jovens na sua cidade é o verdadeiro desígnio político, é a garantia de que o concelho terá um futuro vibrante, cheio de potencialidades, pois a renovação não é um risco, mas sim uma oportunidade. Um futuro sem os jovens de hoje não existe. É aqui que a autarquia pode, e deve, fazer a diferença, transformando a vontade de ficar, numa escolha natural e sustentável.»

